18.1.18

e o supernanny do demo?

Anda toda a gente a falar do Supernanny. O programa do demo que envolve pais, crianças e uma nanny. Não vou estar a discutir quem são os melhores pais, quais são os que falham menos e quem isto ou aquilo. A minha questão está relacionada com a exploração infantil de que tantos falam.

Será que só existe exploração infantil aqui? Num formato destes? E quando os pais inscrevem os filhos em programas de talentos. Que são transmitidos em directo, que acabam às tantas da manhã para depois as crianças irem para a escola às oito da manhã?

E quando os pais exploram os filhos para ganhar dinheiro com isso? Quer seja com publicidades ou em trabalhos que chegam a roubar espaço à escola, obrigando as crianças a passarem horas em castings. Isto não é exploração infantil? Só entendemos exploração infantil quando existe polémica ou quando estamos a falar de crianças que trabalham de sol a sol num qualquer país de terceiro mundo?

17.1.18

moda das dietas

Chegou a altura das dietas. Os excessos de Natal pesam muito na consciência (e na balança) e já se pensa no Verão. No famoso corpo de Verão. O que faz com que algumas pessoas passem a praticar desporto e muitas sigam as mais diferentes dietas.

Não tenho nada contra dietas. Aliás, já fiz uma a que gosto de chamar reeducação alimentar porque não deixei de comer nada do que queria, simplesmente ganhei novos hábitos. É mais saudáveis. Mas noto que muitas pessoas escolhem dietas sem pensar no assunto.

É a dieta do famoso X ou do anúncio Y e por aí fora. O ideal é que tenha os melhores resultados no menor espaço de tempo. E isto é um erro. Quem procura uma dieta deve informar-se com profissionais. De modo a perceber qual a melhor dieta para o seu caso. Porque as dietas não são fórmulas matemáticas.

E não entrem em dietas malucas. Porque não vão resultar. Nem deixem de comer aquilo de que gostam durante x tempo porque vão voltar a comer assim que acabar a proibição. E isso ainda é pior.

Não cortem com tudo de um dia para o outro porque isso pode ser muito prejudicial em termos emocionais. Acima de tudo, ganhem hábitos saudáveis. Façam refeições de "duas em duas" horas. Optem por alimentos saudáveis e pratiquem desporto. Isto será sempre melhor do que uma dieta maluca de curta duração.

16.1.18

pessoas na hora de pagar as compras

Acho que ninguém gosta de ter de ficar muito tempo numa fila de hipermercado para pagar as compras. Mas às vezes acontece. E o remédio é esperar. Ou desistir das compras e ir embora. Mas existem pessoas que parecem ter outra solução. Que passa por colar as compras à pessoa que está à sua frente na fila. De forma a que duas compras distintas passem a uma. Ou levando a funcionária a perguntar onde é para separar as compras.

Não sei se estas pessoas acreditam que isto faz com que sejam atendidas mais depressa. Ou se acham que estão a ser simpáticas por utilizar todo o espaço disponível do tapete rolante. Mas não custa nada deixar uma margem de "segurança" entre as compras. Ou, se é para juntar, recorrer a um separador criado precisamente para essa finalidade.

Mas existem pessoas que não fazem nada disto. Simplesmente unem as compras à pessoa da frente. E ainda ficam ofendidas quando o cliente da frente faz questão de colocar um separador que divide aquilo que é seu de algo que não deseja. Olham de lado. Como se a outra pessoa estivesse errada e estivesse a ser mal educada por fazer a tal divisão entre o que é seu e o que é de outra pessoa, facilitando o trabalho da funcionaria da caixa. Sempre que me deparo com clientes destes - algo que me aconteceu ontem - acredito que é assim que estão por dentro...


15.1.18

ninguém suporta uma gaja fit

Se existir uma lista de coisas que ninguém suporta, tenho a certeza de que um dos lugares de destaque da lista será ocupado pelas mulheres que gostam de ter os corpos fit. Mulheres que gostam de treinar de forma a manter uma silhueta que é do seu agrado. Nem que para isso tenham de fazer alguns sacrifícios (ou escolhas) alimentares e abdicar de certas coisas. Porque a verdade é que ninguém pode com estas mulheres. Vulgarmente conhecidas por "gajas".

Se estas mulheres estiverem grávidas ou tiverem sido mães recentemente e mesmo assim tiverem um corpo fit, pior ainda. Passam a ser mulheres do demo. Criações do diabo que vieram à terra sem qualquer finalidade útil. E quando penso nestas "gajas" lembro-me imediatamente de dois nomes conhecidos: Carolina Patrocínio e Laura Figueiredo. Duas famosas fit que semeiam ódio a cada foto que publicam do corpo.

Curiosamente (ou não) são duas mulheres que mantiveram o corpo fit durante a gravidez - no caso de Carolina Patrocínio é algo recorrente - e ficaram logo em forma pouco tempo depois do nascimento das filhas. E isto, sem que perceba porquê, semeia ódio. É "gaja" para aqui, "gaja" para ali. Ofensas atrás de ofensas. É porque as crianças não vão ser saudáveis, é porque estão doentes e porque são anorécticas. Isto só para resumir as ofensas e comentários mais comuns.

E não percebo porque não se toleram estas mulheres. Que têm corpos que dão trabalho a manter. É uma opção tão válida como não querer treinar nem ter uma alimentação saudável. E com isto não quero dizer que as pessoas são obrigadas a gostar de mulheres com corpos destes. Mas creio que basta dizer que não se gosta. Que é algo que se considera feio. Que pode ser uma obsessão. Daqui a comentários como "és doente", "estás anoréctica" e falar das crianças, vai uma distância que nunca irei compreender.

12.1.18

perdi uma das minhas melhores amigas

Nunca trabalhámos juntos, mas eras uma das melhores colegas que já estive. Uma das minhas melhores amigas. É uma das melhores coisas que aconteceram na empresa onde sempre trabalhei desde que me formei em jornalismo. Apaixonei-me por ti assim que te vi, assim que apareceste no parque de estacionamento da empresa.

Desde esse dia que tratava de ti diariamente, dando comida e afectos. Sendo que davas-me muito mais do que eu a ti. Muitas noites temi o pior, nas férias ficava com medo de não te voltar a ver. E hoje, por volta das seis da manhã descubro que não te voltarei a ver. Só ouvir, de uma forma que nunca tinha ouvido. Não consigo perceber o acidente que levou à tua despedida. Nem quero perceber.

Aquece-me o coração saber que não estavas sozinha na hora do adeus. Que tinhas a companhia de uma das pessoas que mais gostava de ti. E saber que os melhores tempos da tua vida foram passados connosco também me alegra. Deixaste a tua marca pela cadela fofa que eras e pela ninhada de filhos que tiveste aqui. Foi a minha pior chegada de sempre porque olhei para todos os locais onde estavas e não te vi. Nem vieste atrás de mim para mimos e brincadeiras. A quem vou dar comida à hora de almoço? Com quem vou falar?

Vais deixar um vazio na minha vida. Vou ter sempre saudades tuas e, coisa do destino, ontem tivemos mais uma sessão fotográfica sem que soubesse que seria a última. Obrigado a todos os que trataram de ti com a mesma paixão do que eu. Obrigado à empresa que te aceitou e se preocupou contigo, chegando a pagar um banho como nunca devias ter tomado e um tratamento. Um obrigado especial à minha mulher que aparecia em casa com comida para a semana porque não queria que te faltasse nada. E aos meus pais que também se preocupavam contigo. Hoje, perdi uma das minhas melhores amigas. Gosto muito de ti Jane (e Matilde).


11.1.18

no meu tempo não era assim

O título pode indiciar um texto saudosista. Mas não se trata disso. Nem vou dar numa de velho do Restelo. É apenas uma constatação de como as coisas mudam. E como tenho 36 anos, posso falar de coisas que fazia na adolescência. E a de que vou falar não era uma delas.

Quando tinha acabado de entrar na adolescência, queria era jogar futebol e estar com os amigos. Isto bastava para ser feliz. Até porque uma criança que acaba de entrar na adolescência pouco mais do que isto tem para se interessar. Pelo menos comigo e com os meus amigos era assim.

Ou seja, não havia maluqueiras por miúdas. Nem se faziam loucuras. Nem grandes comentários sobre elas. Hoje, no ginásio cruzei-me com três adolescentes. Estava numa máquina, eles os três noutra e numa outra máquina estava uma rapariga. Um deles começa a dizer a outro para se virar e admirar o rabo da rapariga. E até arranjou uma estratégia para que a missão fosse bem sucedida.

Não me recordo de episódios assim com os meus amigos quando tinha aquela tenra idade. As brincadeiras eram outras. E nem se prestava atenção a mulheres desta forma. É apenas um sinal da mudança dos tempos.