23.10.17

ainda os incêndios (a imagem do país numa acção)

Há muito que defendo que os problemas associados aos incêndios em Portugal devem ser distribuídos, no que a culpas diz respeito, pelos principais partidos políticos nacionais. Porque todos têm culpa. Todos contribuíram para o problema. Ao longo de muitos anos. Mas poucas pessoas parecem querer ver isto. Porque são incapazes de despir a camisola do partido que apoiam. E preferem culpar os outros, bem ao estilo nacional. A culpa é sempre de alguém que não nós.

Por isso, acho que a imagem dos incêndios pode ser resumida a uma acção que decorreu durante a manifestação de Lisboa. Um jovem é agredido por ter levantado uma faixa onde se podia ler que a culpa era dos maiores partidos nacionais. Foi agredido por diversas pessoas. Com um dos agressores a dar a cara aos jornalistas para dizer que a culpa é apenas do Partido Socialista. Isto explica muita coisa. Em especial o facto de não resolvermos os problemas com uma maior velocidade.

19.10.17

nem tudo é mau no final de uma relação

Por norma o final de uma relação sentimental é algo que custa. E estou a excluir da frase anterior relações bastante curtas. Aquelas que não têm tempo suficiente para que alguma das pessoas fique triste com o final da relação. E bem vistas as coisas, e numa altura em que as pessoas são cada vez mais descartáveis, isto corresponde a boa parte da relações dos dias que correm. Mas aquilo de que quero falar é de relações duradouras que chegam ao fim.

O final corresponde sempre a um final de tristeza. Não gosto de falar em luto mas em ponderação. Independentemente de quem toma a iniciativa de terminar a relação, existe sempre um período em que se tenta perceber o que falhou. O que levou ao desgaste ou a um afastamento que se torna irreversível. Este é o lado mau do final da relação. Perceber que aquilo em que se acreditava acabou por se perder. Olhar para trás e perceber que largos anos da vida acabaram de uma forma que nunca tinha passado pela cabeça das pessoas.

Mas existe um lado bom no final de uma relação. Quem nem deveria existir. Porque é sinal de desleixo durante a relação. Quanto as pessoas terminam uma relação passam a cuidar mais de si. Preocupam-se em estar bem. Em estar bonitos. Preocupam-se com aqueles quilinhos a mais que nunca mereceram atenção durante a relação. Arranjam tempo para fazer aquilo de que gostam e que não faziam durante a relação. Isto é muito comum a quem termina uma relação. E é pena que assim seja. Porque isto nunca deveria ser necessário. Ou, dizendo de outro modo, deveriam ser preocupações presentes durante a relação e não apenas no final.

17.10.17

abençoada chuva

Em condições "normais" as pessoas estariam a criticar a chuva e a desejar o bom tempo até ao próximo Verão. Neste caso, felizmente choveu. E a água foi suficiente para ajudar os bombeiros a colocar um ponto final em todos os fogos que ainda estavam a consumir Portugal. Estou muito feliz com esta chuva. Porque foi essencial para os bombeiros.

Agora, desejo que esta água também lave muitas bocas. E que lave as ideias erradas que tantas pessoas vendem como certezas absolutas, sem qualquer conhecimento de causa. Que este drama sirva, de uma vez por todas, para corrigir o que está mal em matéria de incêndios. Um problema que não tem dois dias, nem dois meses ou dois anos. Um problema que tem décadas! Aquilo em que não acredito é que tudo isto venha a servir para que muitas pessoas pensem duas vezes antes de abrir a boca.

16.10.17

aquilo que mais me irrita nos incêndios (e não só)

Aquilo que mais me irrita neste drama dos incêndios é a atitude de muitas pessoas nas redes sociais. Que há muito se transformaram numa espécie de tribunal onde todos são juízes com conhecimento em todas as matérias. Em todas! Irrita-me a sede de encontrar um culpado. Uma pessoa a quem apontar o dedo como culpado de todos estes incêndios. E para isso dizem-se as maiores barbaridades. Algumas por falta de conhecimento das leis. Outras por raiva e/ou impotência. E algumas, e peço desculpa pela sinceridade, por burrice.

Neste caso não há um culpado. Existem muitos. Mas mesmo muitos. Que vão de políticos aos donos do terrenos que ignoram aquilo que é um dever. Apesar dos constantes alertas. Ou para aquelas pessoas que sabem que está tudo a arder e mesmo assim ainda adoptam comportamentos de risco que podem levar a mais incêndios. E deixo apenas dois dados que talvez muitas pessoas desconheçam. Se não estou em erro, mais de 90% do mato em Portugal é privado. E são os donos que têm a obrigação de fazer a manutenção dos terrenos. E os portugueses são os europeus que fazem mais ignições. Se estes dois dados explicam tudo? Não! Longe disso. Tal como não explica tudo dizer que a culpa é do Governo.

Há muito para discutir. Desde o negócio dos incêndios até ao descuido dos proprietários dos terrenos, passando pelos políticos. E algures neste percurso estamos todos nós. Sem excepção. E enquanto andarmos a apontar o dedo uns aos outros, nada irá mudar. Servirá apenas para criar ainda mais confusão. Que nada resolve. As pessoas devem todas colocar a mão na consciência e perceber aquilo que está a ser mal feito. Mas tudo. E não apenas uma parte. Uma das coisas mais injustas que se podem fazer em momentos de dor como este é querer encontrar apenas um culpado. Alguém que sirva de bode expiatório para os erros de tantas pessoas.

E este problema dos portugueses não é exclusivo dos incêndios. É comum a todas as grandes notícias que nos chegam. Desde o Cristiano Ronaldo que atira um microfone para a água até às decisões de Donald Trump. Os portugueses sabem tudo de tudo. Só não sabem dos problemas que têm em casa. Nem daquilo que podem (e devem) mudar perto de si. É aquela máxima de que todos querem mudar o mundo, mas ninguém está disposto a mudar.

um aperto no coração

Tanto incêndio. Em Outubro. Com temperaturas a rondar (ou ultrapassar) os trinta graus. Não consigo sequer imaginar o desespero de todas aquelas pessoas que estão dispostas a dar a vida para proteger aquilo que construíram ao longo da vida. Não consigo imaginar o desespero que leva uma mulher grávida a perder a vida na tentativa de fugir do incêndio. É tudo muito triste. Não há palavras para esta situação...